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Tudo Sobre o Mieloma Múltiplo

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Mieloma múltiplo, câncer raro, que atinge idosos

oncoguia 5 de maio de 2017

Apesar de pouco conhecido, o mieloma múltiplo, um tipo de câncer raro que afeta a medula óssea, tem gerado preocupação. A doença atinge quase 230 mil pessoas ao redor do mundo, de acordo com a International Agency for Research on Cancer (IARC), sendo mais frequente na terceira idade. Sua gravidade está vinculada ao padrão de crescimento e sintomas, que, por comumente serem confundidos com outras doenças, retarda o diagnóstico correto e prejudica a resposta ao tratamento.

Segundo o Instituto Oncoguia, no Brasil surgem 7,6 mil novos casos a cada ano. No mundo, de acordo com a Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer, o número alcança 114 novos diagnósticos. A elevação registrada na longevidade humana deve fazer com que essa doença, vinculada ao envelhecimento, cresça entre a população.

O médico hematologista Angelo Maiolino, especialista em Mieloma Múltiplo, diz que essa doença se dá pelo crescimento excessivo de uma célula chamada plasmócito, responsável pela produção de anticorpos. Quando esse crescimento ocorre, ele afeta o funcionamento da medula óssea, ou seja, compromete o funcionamento dos rins, sistema imunológico e pode até ocasionar uma destruição óssea, que explica a fragilidade desses pacientes. Não existe uma causa especifica para o desenvolvimento da doença, como ocorre em cânceres como o de pulmão, por exemplo, em que o fumo pode ser um fator significativo. Na verdade, uma mutação genética da célula ocorre “por acaso”.

Por isso, até o momento, não existem formas de prevenção para a doença, já que ela é uma alteração genética aleatória da célula. “O que é sempre recomendado é manter todos os exames de check-up em dia e um estilo de vida saudável, orientação que serve para todas as pessoas”, enfatiza o especialista. O diagnóstico precoce é decisivo para o tratamento dessa enfermidade. “Quanto antes a doença for detectada, maior será a chance de minimizar os impactos na vida do portador”, diz Angelo Maiolino.

No caso do mieloma, torna-se ainda mais importante pela postergação dos pacientes em procurarem ajuda médica. “Em muitos casos, um dos sintomas aparece, como uma dor óssea constante, que pode estar relacionada ao mieloma, e a automedicação começa. Este mesmo paciente só irá procurar ajuda especializada quando a doença já estiver mais avançada ou ocorrendo uma fratura”, exemplifica Maiolino. No entanto, médicos podem vir a demorar em levantar a doença como uma possibilidade, já que os sintomas se relacionam com outras causas.

A ciência já descobriu alguns fatores de risco do mieloma múltiplo. Segundo dados da International Myeloma Foundation (IMF), a média de idade para o início do mieloma é dos 60 aos 65 anos, sendo que em menos de 10% dos pacientes têm menos de 40 anos. A incidência é maior em homens e também leva-se em consideração o fato de algum membro da família ter sido diagnosticado anteriormente.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico mais preciso ocorre quando da presença da proteína doente, nomeado de “anticorpo monoclonal”, em um exame especializado. Mas alguns sintomas devem servir de alerta. Entre eles, um quadro de anemia, problemas no sistema imunológico, aumentando o aparecimento de infecções, e uma destruição óssea que causa dores, e, se mais avançadas, fraturas por qualquer motivo banal. A produção de um anticorpo bastante alterado, que não possui função qualquer, também pode entupir o rim, causando uma insuficiência renal.

Apesar de não haver cura ao mieloma múltiplo, opções de tratamento existem. No passado a doença era tratada unicamente com quimioterapia convencional, mas, ao longo dos anos, foram introduzidos o transplante autólogo da medula óssea e novas categorias de medicamentos, que atingem diretamente as células do mieloma.Todas as opções não são sinônimas de cura, mas de suporte, e devem, quando alinhadas com o especialista, ser complementadas por atividades de apoio, como o exercício físico supervisionado, a orientação com nutricionistas e o amparo psicológico.

Após o tratamento, é possível ao paciente ter uma vida normal. Será importante, porém, um estilo de vida saudável, com alimentação equilibrada e prática de exercícios físicos, sempre com orientação e acompanhamento médico, além de manter uma boa saúde mental e o sono regular. Recomenda-se também reduzir ou eliminar o estresse no trabalho, família ou situações sociais. Além disso, evitar multidões o máximo possível e lavar as mãos com frequência, protegendo o sistema imunológico.

Matéria publicada no Jornal Ibia em 05/05/2017.

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